quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A sensação da F1 em 2010 será uma velha novidade.

Quem acompanha a Formula 1 sabe que seus pilotos, me refiro aos medianos pra cima, além viciados por velocidade, são obcecados por competição e não gostam de perder nem “par ou ímpar”. Em minha opinião, foi esse espírito competidor e sua paixão por corridas que fez com que Michael Schumacher decidisse voltar às pistas. Existem outros prováveis fatores envolvidos: uma possível frustração por não ter conseguido substituir Felipe Massa esse ano? Gratidão pela Mercedes, por ter o conduzido à F1 no início de sua carreira? Desejo de alcançar a centésima vitória na categoria? Talvez tudo isso junto, quem sabe. Dinheiro? Não acredito. Shumacher receberá 7 milhões de euros por temporada, uma fortuna, certamente, mas não para um multimilionário como ele, que mesmo em seu primeiro ano de aposentadoria (temporária, sabe-se agora) ainda era o esportista mais bem pago do mundo.

Aos 41 anos de idade, é impossível prever se o Schumacher que veremos em 2010 terá, na Mercedez-Benz, o ritmo dos tempos de Ferrari. Mas é fato que a união dessas duas lendas alemãs não se daria se não fosse pelo compromisso de brigar por vitórias.
Dessa volta ficam duas certezas: a primeira é a de que mesmo um cara com uma biografia profissional excepcional, como Michael Schumacher, pode correr riscos e acrescentar novos capítulos a sua história. A segunda certeza é a de que o mundial de F1 de 2010, que por todas as novidades já prometia ser sensacional, será espetacular. Graças à volta do maior campeão que esse esporte já viu.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Morya 53 anos.

Fundada há 53 anos em Salvador com o nome de Publivendas, a Morya está entre as três agências de publicidade mais antigas do país em atividade, sendo a primeira formada com capital nacional. Hoje, a empresa conta com mais de 160 funcionários distribuídos em três unidades: Salvador, São Paulo e Recife, onde eu atuo. Para comemorar mais um aniversário, foi lançada mês passado uma revista comemorativa, que pode ser conferida abaixo, na qual eu contribuo com a construção dos textos, redação, além de uma página dedicada ao Conhecimento sem Fronteiras (projeto de minha autoria e já postado neste blog). Vale a leitura.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Domingo sangrento.

Não vou escrever aqui sobre o suposto hexa do Flamengo. O troféu de campeão brasileiro de 1987 está bem guardado na Ilha do Retiro pra quem quiser ver. O que mais me incomodou de ontem para hoje não foi a histeria da imprensa em relação ao título flamenguista, mas sim as imagens de pancadaria no Couto Pereira e nas ruas do Rio de Janeiro. O que aqueles “torcedores” tem na cabeça? Cocô? Um clube que tem uma torcida que faz o que a do Coritiba fez merece, sim, ser rebaixado. E não para a série B, mas para níveis bem mais inferiores, que é onde se enquadra aquele grupo de débeis mentais. Muitos dirão que aquela é uma minoria. E daí? Os clubes não só fazem vista grossa para as torcidas organizadas, como também oferecem facilidades para esses bandos de idiotas desocupados, portanto também são responsáveis.
E como se não saber perder já não fosse o bastante, ainda tem os que não sabem nem ganhar. As cenas do Rio, que mostram brigas generalizadas entre retardados fortinhos são um retrato do nível de futilidade que atinge boa parte da juventude brasileira. Não existe diferença alguma entre os pitburros cariocas do flamengo e os paulistas sem cérebro que causaram tumulto numa faculdade ao perseguir a menina do micro-vestido (ela própria uma sem noção). São todos imbecis. Uma juventude sem capacidade alguma de pensar e de levantar discussões relevantes.
Ano que vem completo 30 anos e fico assustado com a capacidade de fazer (e gostar de) merda da minha geração e das mais novas. Depois ainda agem como se os políticos fossem os únicos responsáveis pelo futuro do Brasil. Não são.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Uma banda de rock americana.

Existem alguns músicos e bandas de enorme prestígio mundial que nunca tiveram grande popularidade no Brasil. Um deles é Tom Petty e sua banda, os Heartbreakers.  Com 30 anos de estrada, Tom Petty & The Heartbreakers já venderam mais de 50 milhões de discos, numa carreira sólida que a torna uma das maiores bandas americanas de todos os tempos.
Originária da Florida, o grupo surgiu na segunda metade da década de 70 com uma mistura de Byrds, Rolling Stones, linhas vocais à lá Dylan e influências do rock dos anos 50. Na verdade, a banda tem todos os ingredientes que uma banda de rock’n’roll precisa: crença no estilo, performances vibrantes, paixão pela música, inspiração, um líder carismático e músicos talentosos. Mike Campbell, o guitarrista solo, por exemplo, é um grande músico, além de co-autor de muitas faixas da banda e já trabalhou com Johnny Cash, Fleetwood Mac, George Harrison e Bob Dylan, entre outros. Steve Ferrone, o atual baterista, tocou com Eric Clapton, Peter Frampton e até com o Aerosmith, enquanto Joey Kramer, o baterista titular, estava afastado. Mas o que realmente faz a diferença para a banda, em minha opinião, é ter um compositor do calibre de Tom Petty. Suas músicas conseguem unir um forte apelo radiofônico com melodias e letras inteligentes e sensíveis, o que o coloca entre os grandes. Uma prova disso foi o fato de ele ter sido membro de um dos maiores super grupos da história, o Traveling Wilburys, banda que, junto com Petty, tinha em sua formação Bob Dylan, George Harrison, Jeff Lynne, Roy Orbison e, nos bastidores, o fiel escudeiro Mike Campbell. Apesar de todos os projetos paralelos dos seus membros, Tom Petty & The Heartbreakers sempre voltam gravar e a tocar juntos, como aconteceu ano passado na prestigiada final do futebol americano, o tradicional Super Bowl.
A fantástica história desse grande artista e sua banda pode ser conferida no documentário Runnin’ Down a Dream, dirigido pelo cineasta Peter Bogdanovich e lançado em 2007. O filme mostra uma trajetória recheada de momentos divertidos, tristes, batalhas judiciais, amizade, tragédia causada por drogas, integridade e, acima de tudo, música de excelente qualidade. Segue o trailer abaixo. Vale conferir.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Em 2010, é Twitter na cabeça.

Em sua passagem pelo Brasil em outubro, Biz Stone, fundador do Twitter, declarou de forma clara que o “microblog”, como o Twitter é chamado, não é uma rede social, e sim uma rede de informações. É verdade. Diferente dos Facebooks ou Orkuts da vida, o Twitter representa uma nova e espontânea forma de propagação de conteúdo, fatos e idéias. Pode ser a estréia de um filme em Hollywood, um comício na Palestina ou um tribunal em Paris: o fato é que através do Twitter, as pessoas compartilham o que acontece em qualquer lugar do mundo e (o mais importante) em tempo real.

Apesar de ainda estar em pleno crescimento como ferramenta de troca de informações, é difícil apontar com exatidão os rumos que o Twitter vai tomar. Muitos dos 44 milhões de cadastrados no site, não usam a ferramenta. Afinal, nem todo mundo tem disponibilidade para ficar relatando o que está fazendo ou no que está pensando o tempo todo. No entanto, é no mínimo razoável dizer que ele irá se firmar ainda mais como instrumento de busca de conteúdo e informações.
Levando o assunto para o ambiente corporativo, parece notório que as empresas ainda estão descobrindo a melhor forma de usar o Twitter, seja como ferramenta de relacionamento com seu público, seja na forma de incluí-lo como parte do mix de marketing e promoção.
De minha parte, estou ansioso mesmo é para ver como o Twitter será usado nas campanhas eleitorais brasileiras de 2010. Acredito veemente que o microblog é um instrumento fantástico para este tipo de processo. Através dele, os eleitores poderão saber exatamente como os candidatos estão se movimentando no tabuleiro eleitoral. Ou seja, com quem estão reunidos, o que estão dizendo nas palestras em universidades, sindicatos, quais comunidades estão visitando, e tudo em tempo real. O mais importante, porém, é que o Twitter tem tudo para se tornar um meio de inclusão política, principalmente para a população mais jovem. Afinal, trata-se de uma ferramenta extremamente eficiente para debates e propagação de ideais, além de carregar um enorme potencial para mobilizar e agrupar pessoas com gostos e opiniões parecidas. Não há dúvidas de que o Twitter também será mais que monitorado de perto pelas equipes de marketing dos candidatos e também pelos analistas políticos. Sem jingles e sem slogans, o Twitter deve ser a sensação das Eleições 2010.

domingo, 22 de novembro de 2009

Guitarman from Central Park


“A pessoa mais famosa de Nova York que ninguém conhece”. Apesar de adorar o texto do cartaz, não demos muita bola para o pequeno show que o International Hostel de Nova York estava oferecendo para seus hóspedes. Isso, até o dia em que, chegando ao albergue depois de mais um dia de longas caminhadas, escutamos um som vindo de uma das salas do prédio situado na Amsterdan Avenue, 103. Era “No Reply” dos Beatles – o convite que precisávamos. A partir daí, tivemos um dos momentos mais divertidos (e inusitados) da viagem.
O “Guitar Man from Central Park” é uma figuraça. Tocando para uma platéia de 30 a 40 pessoas vindas dos mais diferentes lugares do mundo, ele conversava com todos, tentava decorar o nome a nacionalidade de cada um, contava histórias de sua vida e, entre músicas pedidas pelo animado público, apresentava suas próprias composições. David Ippolito é o nome do cara. E ele se garante: toca e canta muito bem, como pudemos conferir em Beware of Darkness de George Harrison ou Like a Rolling Stone de Dylan. Momentos antes dessa última, confessou que já morou nas ruas, foi viciado em drogas e, depois de se recuperar, acredita que entendeu o real significado da letra. Em seu site, ele diz que nessa época “se viu em lugares que hoje não gostaria de voltar”, que “não estava atuando, mas dizia ser ator e não estava compondo, mas dizia ser compositor” e completa assumindo que “tinha um louco desejo por fazer ambas as coisas, mas não tinha nada de importante pra dizer ao mundo”. Após anos vivendo de favor, David Ippolito parou de se drogar e gastou todo o seu dinheiro num pequeno amplificador, que levou para o Central Park. Neste dia, ele começou tocando para 3, 4 pessoas e, quando o sol estava se pondo, havia mais de 500 pessoas cantando com ele. Para sua surpresa, uma delas era Jack Rosenthal, editor sênior no New York Times que, no dia seguinte, publicou um artigo sobre o “concerto espontâneo no parque”. Depois disso, David Ippolito passou a se apresentar regularmente não só no Central Park, mas também em várias casas de show de Nova York, além de ter lançado 5 discos, sempre com direito a coberturas nos jornais, revistas e até programas de TV da cidade. As pessoas podem até dizer que essa é uma estória batida: vício, fundo do poço e, depois, recuperação. De fato, muita gente já viu esse filme. Mas assistir um trechinho ao vivo e a cores é bem mais emocionante.
Daquela noite fria de 20 de novembro de 2008 ficou uma lição de vida e também uma música chamada “Crazy on The Same Day”, original de David Ippolito, que trouxemos no CD de mesmo nome e que se tornou a trilha sonora da viagem.

domingo, 15 de novembro de 2009

"Enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais". Jack Kerouac

Sempre vi a Geração Beat como os roqueiros da literatura: um grupo de escritores e poetas insatisfeitos com a alienação, o comodismo, a hipocrisia e o falso-moralismo que reinava nos Estados Unidos pós-segunda guerra mundial. Na primeira vez que vi a foto acima, com  Bob Donlin, Neal Cassady, Allen Ginsberg, Robert LaVigne e Lawrence Ferlinghetti, pensei: eles parecem uma banda!
Geralmente, quando as pessoas se referem à literatura Beat, Jack Kerouac ou seu clássico On the Road são os primeiros a serem lembrados. Eu, por exemplo, sou um dos que tive a vida marcada por este livro: um manual de espontaneidade, liberdade e ruptura, escrito de forma alucinada durante três semanas em abril de 1951, num rolo de papel de 36 metros, sem pontuação ou parágrafos e sob o efeito de benzedrina.
Junto com Kerouac, Allen Gisnberg e William Burroughs são os autores beats mais famosos. Não tenho muita intimidade com a obra de Burroughs, mas acho os poemas de Ginsberg tão fortes e instigantes quanto a prosa jazística de On the Road. Nascido em Nova Jersey, 1926, Allen Ginsberg foi a perfeita encarnação do poeta maldito, um rebelde que, apesar do estilo de vida excessivamente intenso e desregrado, só parou de produzir quando foi vítima de um câncer aos 70 anos de idade. Seu poema mais cultuado, Howl (uivo), segundo o próprio autor, é um protesto contra a automatização desumana da cultura americana, uma ode às minorias e à compaixão humana do indivíduo. Em vida, Ginsberg conheceu o sucesso e se tornou uma celebridade mundial. Conviveu com Bob Dylan, com os Beatles, com o The Clash e até dividiu o palco com Paul McCartney, Patty Smith e Sonic Youth, entre outros. Sempre envolvido em atividades culturais e movimentos sociais diversos, Allen Ginsberg manteve sua integridade artística por toda sua vida, estimulando o estudo da poesia mundo afora, chegando a criar uma universidade de estudos literários, o Naropa Institute, que dirigiu até o fim de sua vida.
O que tanto me atrai na obra desses escritores é a sua eterna busca – a busca pela liberdade, pela felicidade, pela salvação, por um nível de consciência superior e, acima de tudo, pelo autoconhecimento. A busca que levou esses autores - eles próprios personagens fantásticos – a cair na estrada ou flertar com filosofias orientais, relatando depois estas experiências, é a mesma que leva milhões de almas inquietas a lerem esses relatos até hoje. Para essas pessoas, livros como Os Vagabundos Iluminados, de Kerouac, ou poemas como America, de Allen Gisnberg, sempre serão um caminho – mesmo que este aponte, quem sabe, para uma estrada qualquer.

América eu te dei tudo e agora não sou nada.
América dois dólares vinte e sete centavos 17 de janeiro de 1956.
América não agüento mais minha própria mente.
América quando acabaremos com a guerra humana?
Vá se foder com sua bomba atômica.
Não estou legal não me encha o saco.
Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal.
América quando é que você será angelical?
América quando você tirará sua roupa?
Quando você se olhará através do túmulo?
Quando você merecerá seus milhões de trotskistas?
América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas?
América quando você mandará seus ovos para a Índia?
Eu estou cheio das suas exigências malucas.

(trecho do poema “América”, de Allen Ginsberg).


Allen Ginsberg

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O muro é aqui.


As comemorações pelos 20 anos da Queda do Muro de Berlim servem para algumas reflexões, até porque as imagens dos alemães festejando de ambos os lados da “fronteira”, enquanto derrubavam o ícone da Guerra Fria, ultrapassam questões políticas e ideológicas. A multidão estava ali celebrando o direito se expressar, de poder ir e vir, de ultrapassar uma barreira não só de espaço, mas também de tempo (o muro foi construído em 1961). A festa era pela liberdade, condição inexistente na República Democrática Alemã, a Alemanha Oriental - o filme “A Vida dos Outros”, de 2006, mostra bem o trabalho da Stasi, polícia secreta que monitorava (e manipulava) o cotidiano das pessoas na Alemanha Comunista. O vigésimo aniversário da Queda do Muro é mais uma oportunidade para reafirmar a importância do direito de escolha, de ter opções, de ter opiniões e poder expressá-las.
Infelizmente, outros muros não caíram junto com este que separou a Alemanha e o mundo continua cheio de barreiras. Algumas são construídas em cima de questões históricas, como no caso dos conflitos do Oriente Médio (também com direito a muro, literalmente). Outras barreiras são calcadas no preconceito, seja este religioso, racial, comportamental ou de qualquer outra espécie. Alguns muros são resultados da soma desses dois fatores, como os problemas recentes de imigração na Europa.
O Brasil, por exemplo, é um país de muitos muros, sendo o maior deles a desigualdade social. Como conseqüência, vemos subir muitos outros. Alguns muros são visíveis e já viraram paisagem, como os dos condomínios privados ou os vidros dos carros fechados nos sinais de trânsito. De um lado, o medo e a insegurança. Do outro, a frustração e a revolta. De ambos os lados a insegurança, o estresse, a paranóia e o isolamento. Essas características psicológicas também são muros, que apesar de não serem físicos, de tão reais são quase palpáveis. Estes, em minha opinião, são bem mais difíceis de derrubar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quem precisa de mais um DVD ao vivo de Paul McCartney?


A música de Paul McCartney é minha amiga mais antiga; uma fiel companheira que me acompanha desde os nove anos, quando escutei o álbum triplo ao vivo Wings Over America do meu pai. Já no meu aniversário de 10 anos pedi de presente a minha mãe o LP Flowers In The Dirt. Em seguida mergulhei de cabeça nos discos dos Beatles e também na carreira pós Fab Four.
Prestes a começar uma nova turnê com previsão de vinda para o Brasil, Sir Paul está lançando mundialmente um novo registro ao vivo. Good Evening New York City está saindo no final do mês em dois formatos: um álbum duplo com DVD e uma versão de luxo com um segundo DVD bônus. O material cobre as três apresentações feitas em julho deste ano na comemoração de abertura do estádio de Baseball Citi Field, em Nova York, construído para substituir o Shea Stadium, onde os Beatles fizeram uma apresentação histórica em 1965 (quem já viu o Beatles Anthology sabe do que estou falando).
Este será o quarto DVD ao vivo lançado por Paul McCartney desde 2002, quando saiu o Back In US. Em seguida vieram o Live In Red Square e o The Space Within Us, sem falar do material que saiu na coletânea de vídeos The McCatney Years e no Box do Live 8, quando ele abriu e fechou o evento. Mas o que esse lançamento tem de especial em relação aos últimos DVDs de Paul McCartney? A banda que o acompanha, excelente por sinal, é a mesma. O set list, com a exceção de 4 ou 5 números, também é o mesmo. Aparentemente o Good Evening New York City não parece oferecer muitas novidades.
Paul McCartney é, pra mim, o maior músico de todos os tempos. Multi-instrumentista e autor de uma obra que dispensa comentários, ele envelheceu com sua integridade artística intacta – basta escutar o Chaos And Creation In The Backyard (2005), onde toca todos os instrumentos na maioria das músicas ou o Eletric Arguments (2008), projeto de música experimental em parceria com o produtor Youth.
Quando a gente cresce, passa a acreditar cada vez mais no “I know, it’s only rock’n roll but I like it” dos Stones. Mas no caso de Sir Paul e dos Beatles, é impossível dizer que é “só” rock’n roll. Aquelas músicas provocam reações que vão muito além de um simples gostar: elas emocionam, instigam, comovem, alegram e entristecem também - principalmente quando pensamos que Paul McCartney, assim como John Lennon e George Harrison, não vai viver pra sempre.
Quem precisa de mais um DVD ao vivo de Paul McCartney? Talvez quem queira sentir emoções mais intensas que um simples “gostar”.



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O papel da Internet nos processos eleitorais.


A vitória de Barack Obama está completando um ano. Pra quem se interessa por política e marketing eleitoral, como eu, as eleições estadunidenses de 2008 foram espetaculares de se acompanhar – não por acaso, o trabalho de conclusão do MBA em Marketing que fiz tratou do papel das novas mídias na vitória de Obama. Afinal, o atual presidente americano e sua equipe foram pioneiros na maneira em que usaram a internet para propagar mensagens, arrecadar dinheiro e mobilizar politicamente os eleitores. Pela primeira vez, o debate político foi além dos grandes veículos de comunicação para ser realizado na “blogosfera”. Ao adotar o ambiente on-line, Obama incluiu os jovens no diálogo, o que também foi determinante para a sua vitória. Numa época de diversificação e segmentação de públicos como a nossa, ele obteve mais de dois terços dos votos de eleitorados específicos como negros, latinos e eleitores debutantes. Levando essa fatia para si, Obama pode vencer em estados onde os democratas nunca imaginaram ser possível. A internet também foi responsável por 87% de toda a arrecadação da campanha do então senador de Illinois, sendo que 93% dos doadores contribuíram com menos de US$ 100.

Para as eleições presidenciais brasileiras de 2010, a justiça eleitoral - que em 2006 restringiu o uso da internet somente à página oficial do candidato destinada à campanha - deve finalmente se render a Internet. Quem sabe, a partir da inclusão digital, o debate político e eleitoral brasileiro ganhe um novo gás e a sociedade, que anda tão descrente, assuma o papel de protagonista no processo democrático.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A F1 é dos baixinhos.


No último dia 23, Jean Todt, ex-chefe da Ferrari, que junto com Michael Schumacher e Ross Brawn formou o time dos sonhos que ganhou 13 títulos mundiais (entre pilotos e construtores) de F1, foi eleito presidente da FIA. Ele também foi o responsável pela polêmica ordem de equipe que culminou no célebre “Hoje não! Hoje não!” narrado por Cléber Machado durante a transmissão do Grande Prêmio da Áustria 2002, quando Rubens Barrichello freou para Schumacher passar na última curva. JT, que sempre teve sua carreira ligada aos esportes a motor, tem dois enormes desafios: o primeiro tem a cara do século XXI, que é o desenvolvimento sustentável, já que a F1 desempenha um papel importante no mercado automobilístico por estar na vanguarda tecnológica do setor. Apesar disso, nunca lemos ou escutamos nada relacionando a categoria a alternativas “verdes” de consumo de combustível ou armazenamento de energia.
O segundo desafio de JT é melhorar o nível das corridas, o que envolve soluções tecnológicas, mas também a escolha dos circuitos. Há tempos que a Formula 1 gira em torno de dinheiro. Bernie Ecclestone, o manda-chuva da FOM (empresa que dirige os direitos comerciais da categoria), transformou a F1 – originalmente uma competição de garagistas - num circo multi-milionário e espetaculoso. Uma prova disso é a corrida a ser realizada nesse fim de semana, em Abu Dhabi, Emirados Árabes, além das já realizadas no Bahrein e nos chamados Tigres Asiáticos – um festival de cenários espetaculares, ostentação de riqueza, alguma cafonisse e arquibancadas vazias. Mas como o que rende dinheiro são os patrocínios e os direitos de transmissão, para a FOM está tudo certo.
Ambos os desafios de Jean Todt esbarram na busca ilimitada por lucro e receita. Superar estes obstáculos representaria a maior vitória deste francês baixinho colecionador de títulos. Mas isso só pode acontecer com o consentimento de Bernie, outro baixinho, só que bem mais casca grossa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre o CD

Muito já se falou sobre o futuro dos CDs. As quedas nas vendas fecharam até portas de mega-lojas da Virgin – um verdadeiro paraíso para os amantes dos compact discs.

Na tentativa de melhorar as vendas, algumas gravadoras e artistas estão “agregando valor” a seus produtos. Uma das versões do novo álbum do Pearl Jam, por exemplo, ao ser inserido no computador, disponibiliza dois shows inteiros da banda em MP3 para download. Já os Black Crowes (uma de minhas bandas favoritas), lançaram em setembro último um álbum duplo cujo “disco 2” é disponibilizado via internet para os que compraram o “disco 1”. Este, por sua vez, está no mercado nos formatos CD e Vinil. As versões remasterizadas dos álbuns dos Beatles são outro bom exemplo: com a exceção da coletânea Past Masters, todos vêm com um mini-documentário para ser visto no computador.

Os “bônus” não deixam de ser uma recompensa pra quem ainda gasta algum dinheiro comprando CDs. Mais ainda para os cada vez mais raros amantes dos álbuns, como eu, que vêem num determinado conjunto de músicas um reflexo da fase criativa do artista. Nesse caso, um livreto bem ilustrado com notas da gravação, fichas técnicas ou takes alternativos das músicas - qualquer material adicional que possa ilustrar ou enriquecer a experiência auditiva – serão sempre muito bem-vindos.

Em minha opinião, os CDs não vão desaparecer do mapa. A música, assim como qualquer outro produto de consumo, deve seguir uma tendência de segmentação para atender públicos com perfis diversos. A volta do vinil, ainda que a preços exorbitantes, é uma prova disso. No 30º aniversário do clássico Exodus, de Bob Marley & The Wailers, por exemplo, a gravadora Island relançou o álbum num drive USB. Moderno e na onda da digitalização, sem dúvida. Mas quando eu penso que um álbum que já teve o formato imponente do LP virou um pen drive, me causa uma certa estranheza...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Conhecimento sem Fronteiras

Em novembro de 2008 passei 30 dias em Nova York observando e analisando as tendências da comunicação. A viagem fez parte do projeto Conhecimento sem Fronteiras da Morya, onde todos os funcionários da agência são encorajados a planejar uma pesquisa envolvendo qualquer lugar do mundo. O melhor projeto tem sua realização financiada. O resultado desta fantástica experiência pode ser conferido nesta revista. É só clicar nela e boa viagem.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sobre o blog.

Em sua aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária no Colégio de França, o acadêmico e escritor Roland Barthes decretou que a língua (ou linguagem), sempre que proferida, “mesmo que na intimidade mais profunda do sujeito”, está a serviço do poder. E que a única forma de “ouvir” a língua fora de um contexto autoritário seria através da escrita.
O propósito deste blog é justamente esse: escrever. E não apenas sobre comunicação e marketing (meu ofício do dia-a-dia), mas sobre tudo o que me interessa. Portanto, este espaço vai abrigar impressões sobre música, cinema, literatura, política, Formula 1, futebol e até gastronomia, além de alguns trabalhos desenvolvidos por mim na Morya Comunicação, agência para a qual trabalho. A idéia é mesmo usar a escrita como instrumento de liberdade, sem verdades absolutas, no melhor espírito Roland Barthes. Até porque a vida vai muito além das quatro paredes de uma agência de publicidade.