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quinta-feira, 1 de julho de 2010

A Banda

Quando Music From Big Pink foi lançado em 1968, o mundo se perguntou que banda era aquela que fazia um som indefinível, misturando rock, blues, country, soul e gospel com outros ritmos tradicionais americanos, em músicas habitadas por personagens que podiam ser reais ou apenas figurantes de um passado esquecido em algum lugar no sul dos EUA.
Era uma época de rebeliões e lutas pelos direitos civis em todo o planeta, e, enquanto a maioria bandas de rock adotava nomes mirabolantes e fazia músicas com arranjos intermináveis e sons psicodélicos, o mundo conheceu uma banda simplesmente chamada “The Band”.
Apesar da fama só chegar em 1968, a história do quinteto formado por quatro canadenses e um filho de fazendeiro do Arkansas começou 10 anos antes, quando eles formavam a banda de apoio do cantor de rockabilly Ronnie Hawkins’ Hawks, fazendo o circuito de bares e clubes de Toronto e do sul dos EUA.
Em 1964, já como banda independente (na época, usaram vários nomes, como The Crackers), tocaram em Nova York e atraíram a atenção de Bob Dylan, que os contratou como banda de apoio, começando uma parceria que renderia frutos maravilhosos ao longo dos anos.
Em 1966, após um acidente de moto que hoje é lendário, Bob Dylan foi morar recluso em Woodstock, região no interior do estado de NY, e “a banda” o acompanhou no exílio. Enquanto gravavam com Dylan o material que posteriormente saiu no álbum The Basement Tapes, eles começaram a trabalhar no seu próprio disco.
Gravado no porão da casa em que boa parte da banda morava em Woodstock, chamada de Big Pink (daí o titulo do disco), o álbum apresentou pela primeira vez as composições intrigantes e a guitarra crua e pontuda de Robbie Robertson, o vibrante baixista e vocalista Rick Danko, o genial multi-instrumentista Garth Hudson, o pianista e dono de uma voz sublime Richard Manuel e o cantor-baterista Levon Helm (único americano da banda), cuja musicalidade transmite toda sua herança musical do sul dos EUA. Juntos, os três cantores da banda fizeram trabalhos de harmonia vocal incríveis.
A falta de publicidade, de shows e entrevistas de divulgação não impediu que Music From Big Pink virasse um sucesso imediato, influenciando rapidamente gente como Eric Clapton e George Harrison. Na verdade, a reclusão dos membros da banda só aumentou as especulações em torno de suas figuras. Quando começaram as aparições públicas, as pessoas notaram que, assim com a música, os músicos também pareciam vir das montanhas, com suas roupas rústicas e barbas.
O disco que viria depois, batizado apenas como The Band, em minha opinião, é ainda melhor. O clima de enigma permanece, mas o forte teor histórico e cultural presente nas faixas dão uma força incrível ao álbum. Todas as músicas foram compostas por Robbie Robertson, sendo duas em parceria com Richard Manuel e uma com Levon Helm, o que não diminui em nada o senso de coletividade na audição.
Logo na primeira faixa, Across the Great Divide, Richard Emanuel dá um show de interpretação. Rag Mama Rag, a segunda música, mostra a versatilidade da banda, com Richard na bateria, Levon Helm cantando e tocando mandolin, Rick Danko na rabeca e o produtor John Simom na tuba (a musica não tem baixo). Porém, o destaque, pra mim, é o piano de Garth Hudson.
The Night They Drove Old Dixie Down é a terceira faixa do disco e um dos hinos da banda - uma aula de história escrita por Robbie Robertson e interpretada por Levon Helm numa performance de arrepiar. A letra resgata a vida no sul dos EUA contada do ponto de vista de Virgil Caine, um fazendeiro do Tennessee que serviu ao exército confederado e luta para sobreviver com sua esposa – a música quebra o estereótipo do sulista redneck e escravocrata, um tema caro até hoje para muita gente nos EUA. Na verdade, o álbum inteiro é inspirado no sul dos Estados Unidos. A Guerra Civil Americana, assim como as feridas deixadas por ela, é um dos temas abordados. Dessa forma, o crítico musical e cientista social Greil Marcus, define The Band como “um passaporte de volta para pessoas que se tornaram estranhas em seu próprio país”.
Up On Cripple Creek, faixa 5, foi o compacto de maior sucesso da banda, onde o clavinete tocado com pedal wah-wah por Garth Hudson, que dá uma pitada de funk à musica é o grande destaque. A música seguinte é Wispering Pines, um belo exemplo da capacidade vocal de Richard Manuel. Na penúltima música, The Unfaithfull Servant, é a vez de Rick Danko brilhar na interpretação. Finalmente, o disco fecha com King Havest (Has Surely Come), outro momento de coletividade brilhante. Apesar de ter citado só algumas preferidas, o álbum inteiro esbanja criatividade. Assim como num disco de Ray Charles (grande ídolo de Richard Manuel), a música pode soar religiosa num momento para, em seguida, parecer profana.
“A Banda” seguiu lançando discos com sua formação clássica até 1976, quando Robbie Robertson largou o grupo definitivamente depois do projeto The Last Waltz, um sensacional filme-concerto dirigido por Martin Scorsese e produzido pelo próprio Robbie. Mas sem dúvida, The Band é seu disco mais consistente.
Na década de 1980, The Band voltou sem o seu guitarrista original e principal compositor, mas encerraram atividades após Richard Emanuel cometer suicídio. “A Banda” ainda voltaria com outra formação na década de 1990, mas outra tragédia forçou seus integrantes a pararem mais uma vez: o falecimento de Rick Danko devido a uma parada cardíaca.
Essa é história da The Band contada de forma breve (mas com respeito e admiração). Pra mim, ela soa exatamente como a voz de Richard Manuel: linda, mas revestida de um profundo senso de melancolia.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O exílio dos stones.

Há alguns dias, saiu a notícia de que o Exile On Main St, clássico dos Rolling Stones de 1972, será relançado em três formatos diferentes: o álbum original remasterizado, um CD duplo com 10 faixas inéditas acrescentadas e, por fim, uma caixa de luxo com o álbum duplo em vinil, um livro de 50 páginas e um DVD com o documentário inédito Stones in Exile, que será exibido pela BBC no dia 17 de maio, data também marcada para o relançamento do álbum.
Objeto de culto até hoje, o Exile... é um disco tão sensacional quanto a história do seu processo de gravação. Existem, inclusive, vários livros retratando as aventuras dos Stones neste período em que eles se “exilaram” no sul da França para fugir dos impostos ingleses, compor, gravar e, principalmente, fazer muita farra. Um deles, talvez o mais famoso registro, ganhou uma edição brasileira, o Uma temporada no inferno com os Rolling Stones, de Robert Greenfield, lançado pela Jorge Zahar Editora.
Mas falando de música, o Exile On Main St lembra em alguns aspectos o álbum branco dos Beatles pela sua diversidade e espírito anárquico. Mas apesar de toda a liberdade artística usufruída pela banda, há unidade entre as músicas: durante todo o disco o som é sujo e maciço (ouça a faixa de abertura, Rocks Off, ou o bluesão Ventilator Blues), o que não quer dizer que não exista momentos de beleza, como  Loving Cup ou Shine a Light. Há também o mega hit Tumbling Dice, com uma das melhores performances vocais de Mick Jagger ou Happy, clássico de Keith Richards . Keith, por sinal, compôs alguns dos seus riffs mais memoráveis e toscos neste disco, o que faz um contraponto excelente com a guitarra de Mick Taylor (que ainda gravaria mais dois discos como um stone), mais técnica e refinada.
Talvez o Exile On Main St não tenha tantas músicas radiofônicas como o Let It Bleed ou a produção caprichada do Stick Fingers, mas é um disco que nos reserva novas descobertas a cada audição e, toda vez que você termina de escutá-lo, ele te deixa com aquele sorriso de quem acordou de ressaca e continua deitado, ainda no clima da festa, se divertindo com as lembranças da última noite.
A revista Rolling Stone americana está com uma ótima entrevista em seu site com Mick Jagger, Keith Richards e Don Was, produtor da banda, sobre este relançamento. Pra conferir, é só clicar aqui.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Valor agregado.

Um tio meu (fã de Eric Clapton, vale dizer) admitiu que o aparelho é lindo, mas desaconselhou. A justificativa foi a de que já teve um celular dessa marca e o danado só durou dois meses. “R$ 800,00 jogados no lixo”, disse ele. “E daí? Eu não iria usar como celular mesmo”, respondo eu.




segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mais uma faceta de Eric Clapton

Apesar de ser, na essência, um músico de blues, Eric Clapton é um artista de discografia eclética. Já gravou pop, funk, soul, raggae, música eletrônica, psicodélica, gospel, country, jazz e, é claro, rock’n’roll. No final da década de 60, no entanto, ele estava numa encruzilhada musical. Depois do imenso sucesso com os Yardbyrds, John Mayall’s Bluesbreakers e Cream - com direito a ter seu nome pichado nas ruas de Londres com os dizeres “Clapton is God” -, o guitarrista estava insatisfeito com o direcionamento de sua carreira e cansado da imagem de virtuose das seis cordas. Em sua autobiografia, ele conta que os shows do Cream haviam se tornado um veículo para o exibicionismo dos seus integrantes, com os três músicos solando ao mesmo tempo, voando alto em seus egos. Na mesma época, ele escutou o álbum de estréia da The Band, Music From Big Pink, e foi arrebatado pela simplicidade e lirismo do disco. A vontade de produzir um som mais voltado para a “música” do que para o virtuosismo culminou no surgimento do Blind Faith, que contava com os amigos Steve Winwood (Traffic) e Ginger Backer (também do Cream). A proposta inicial de criar uma música mais “rica na simplicidade”, no entanto, ficou para trás quando o Blind Faith se viu numa turnê megalomaníaca pelos EUA, com um Clapton acuado no papel de coadjuvante. Somou-se a essa frustração o fato de o guitarrista estar cada vez mais envolvido pelo som produzido pela trupe de Delaney and Bonnie, banda de abertura do Blind Faith.

Delaney e Bonnie Bramlett eram casados, sendo os primeiros artistas brancos a assinar com Stax, famosa gravadora do sul dos EUA, voltada para o soul. A banda de apoio dos Blamletts era formada pela cantora Rita Coolidge, por Jim Price e Bobby Keys nos metais, pelo tecladista Bobby Whitlock, pelo baixista Carl Radle e pelo baterista Jim Gordom. Com o tempo, todos eles se tornariam músicos conhecidos e tarimbados, sendo que os três últimos ainda acompanhariam Clapton no Derek and the Dominos. Em sua biografia, Eric Claton conta que o relacionamento desses sulistas americanos com a música era contagiante. Sua rotina era subir no ônibus com os instrumentos e tocar o dia inteiro. Logo Clapton se viu viajando e andando com eles, deixando de lado a sua banda.
Depois de sua primeira e única turnê, o Blind Faith se desfez e Clapton logo passou a excursionar com os Bramletts, experiência que culminou no disco Delaney e Bonnie and Friends – On Tour With Eric Clapton. Na época, Dalaney começou a convencer Clapton a gravar seu próprio disco e se desenvolver como front man. Meses depois, Eric Clapton estava gravando seu primeiro álbum solo tendo a trupe de Delaney e Bonnie como banda de apoio, além do grande Leon Russel no piano. O disco foi batizado simplesmente de Eric Clapton e o resultado, não por acaso, é uma poderosa mistura de blues-r&b-contry-soul, com o guitarrista caprichando no vocal, nitidamente influenciado pelo estilo gospel de Delaney. No lugar dos longos e furiosos solos dos tempos de Cream, a guitarra de Clapton aqui é econômica e levemente calcada no funk. O disco, coeso e divertido, é realmente uma pérola da música pop e uma prévia do que viria pela frente: o clássico Layla and Other Assorted Love Songs, em minha opinião, um dos melhores álbuns de todos os tempos.
A boa notícia para os fãs brasileiros é que a edição “deluxe” de Eric Clapton ganhou uma versão nacional, um álbum duplo que apresenta em seu disco 1 a versão já conhecida remasterizada e mais alguns extras. A surpresa fica pelo disco dois, que contem o álbum mixado pelo próprio Delaney Bramlett. A diferença é a presença mais constante dos metais no segundo disco, além de alguns cortes e vocais de apoio diferentes. A caixinha, caprichada em fotos e textos, é um verdadeiro presente para quem gosta de música.


domingo, 6 de dezembro de 2009

Uma banda de rock americana.

Existem alguns músicos e bandas de enorme prestígio mundial que nunca tiveram grande popularidade no Brasil. Um deles é Tom Petty e sua banda, os Heartbreakers.  Com 30 anos de estrada, Tom Petty & The Heartbreakers já venderam mais de 50 milhões de discos, numa carreira sólida que a torna uma das maiores bandas americanas de todos os tempos.
Originária da Florida, o grupo surgiu na segunda metade da década de 70 com uma mistura de Byrds, Rolling Stones, linhas vocais à lá Dylan e influências do rock dos anos 50. Na verdade, a banda tem todos os ingredientes que uma banda de rock’n’roll precisa: crença no estilo, performances vibrantes, paixão pela música, inspiração, um líder carismático e músicos talentosos. Mike Campbell, o guitarrista solo, por exemplo, é um grande músico, além de co-autor de muitas faixas da banda e já trabalhou com Johnny Cash, Fleetwood Mac, George Harrison e Bob Dylan, entre outros. Steve Ferrone, o atual baterista, tocou com Eric Clapton, Peter Frampton e até com o Aerosmith, enquanto Joey Kramer, o baterista titular, estava afastado. Mas o que realmente faz a diferença para a banda, em minha opinião, é ter um compositor do calibre de Tom Petty. Suas músicas conseguem unir um forte apelo radiofônico com melodias e letras inteligentes e sensíveis, o que o coloca entre os grandes. Uma prova disso foi o fato de ele ter sido membro de um dos maiores super grupos da história, o Traveling Wilburys, banda que, junto com Petty, tinha em sua formação Bob Dylan, George Harrison, Jeff Lynne, Roy Orbison e, nos bastidores, o fiel escudeiro Mike Campbell. Apesar de todos os projetos paralelos dos seus membros, Tom Petty & The Heartbreakers sempre voltam gravar e a tocar juntos, como aconteceu ano passado na prestigiada final do futebol americano, o tradicional Super Bowl.
A fantástica história desse grande artista e sua banda pode ser conferida no documentário Runnin’ Down a Dream, dirigido pelo cineasta Peter Bogdanovich e lançado em 2007. O filme mostra uma trajetória recheada de momentos divertidos, tristes, batalhas judiciais, amizade, tragédia causada por drogas, integridade e, acima de tudo, música de excelente qualidade. Segue o trailer abaixo. Vale conferir.


domingo, 22 de novembro de 2009

Guitarman from Central Park


“A pessoa mais famosa de Nova York que ninguém conhece”. Apesar de adorar o texto do cartaz, não demos muita bola para o pequeno show que o International Hostel de Nova York estava oferecendo para seus hóspedes. Isso, até o dia em que, chegando ao albergue depois de mais um dia de longas caminhadas, escutamos um som vindo de uma das salas do prédio situado na Amsterdan Avenue, 103. Era “No Reply” dos Beatles – o convite que precisávamos. A partir daí, tivemos um dos momentos mais divertidos (e inusitados) da viagem.
O “Guitar Man from Central Park” é uma figuraça. Tocando para uma platéia de 30 a 40 pessoas vindas dos mais diferentes lugares do mundo, ele conversava com todos, tentava decorar o nome a nacionalidade de cada um, contava histórias de sua vida e, entre músicas pedidas pelo animado público, apresentava suas próprias composições. David Ippolito é o nome do cara. E ele se garante: toca e canta muito bem, como pudemos conferir em Beware of Darkness de George Harrison ou Like a Rolling Stone de Dylan. Momentos antes dessa última, confessou que já morou nas ruas, foi viciado em drogas e, depois de se recuperar, acredita que entendeu o real significado da letra. Em seu site, ele diz que nessa época “se viu em lugares que hoje não gostaria de voltar”, que “não estava atuando, mas dizia ser ator e não estava compondo, mas dizia ser compositor” e completa assumindo que “tinha um louco desejo por fazer ambas as coisas, mas não tinha nada de importante pra dizer ao mundo”. Após anos vivendo de favor, David Ippolito parou de se drogar e gastou todo o seu dinheiro num pequeno amplificador, que levou para o Central Park. Neste dia, ele começou tocando para 3, 4 pessoas e, quando o sol estava se pondo, havia mais de 500 pessoas cantando com ele. Para sua surpresa, uma delas era Jack Rosenthal, editor sênior no New York Times que, no dia seguinte, publicou um artigo sobre o “concerto espontâneo no parque”. Depois disso, David Ippolito passou a se apresentar regularmente não só no Central Park, mas também em várias casas de show de Nova York, além de ter lançado 5 discos, sempre com direito a coberturas nos jornais, revistas e até programas de TV da cidade. As pessoas podem até dizer que essa é uma estória batida: vício, fundo do poço e, depois, recuperação. De fato, muita gente já viu esse filme. Mas assistir um trechinho ao vivo e a cores é bem mais emocionante.
Daquela noite fria de 20 de novembro de 2008 ficou uma lição de vida e também uma música chamada “Crazy on The Same Day”, original de David Ippolito, que trouxemos no CD de mesmo nome e que se tornou a trilha sonora da viagem.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quem precisa de mais um DVD ao vivo de Paul McCartney?


A música de Paul McCartney é minha amiga mais antiga; uma fiel companheira que me acompanha desde os nove anos, quando escutei o álbum triplo ao vivo Wings Over America do meu pai. Já no meu aniversário de 10 anos pedi de presente a minha mãe o LP Flowers In The Dirt. Em seguida mergulhei de cabeça nos discos dos Beatles e também na carreira pós Fab Four.
Prestes a começar uma nova turnê com previsão de vinda para o Brasil, Sir Paul está lançando mundialmente um novo registro ao vivo. Good Evening New York City está saindo no final do mês em dois formatos: um álbum duplo com DVD e uma versão de luxo com um segundo DVD bônus. O material cobre as três apresentações feitas em julho deste ano na comemoração de abertura do estádio de Baseball Citi Field, em Nova York, construído para substituir o Shea Stadium, onde os Beatles fizeram uma apresentação histórica em 1965 (quem já viu o Beatles Anthology sabe do que estou falando).
Este será o quarto DVD ao vivo lançado por Paul McCartney desde 2002, quando saiu o Back In US. Em seguida vieram o Live In Red Square e o The Space Within Us, sem falar do material que saiu na coletânea de vídeos The McCatney Years e no Box do Live 8, quando ele abriu e fechou o evento. Mas o que esse lançamento tem de especial em relação aos últimos DVDs de Paul McCartney? A banda que o acompanha, excelente por sinal, é a mesma. O set list, com a exceção de 4 ou 5 números, também é o mesmo. Aparentemente o Good Evening New York City não parece oferecer muitas novidades.
Paul McCartney é, pra mim, o maior músico de todos os tempos. Multi-instrumentista e autor de uma obra que dispensa comentários, ele envelheceu com sua integridade artística intacta – basta escutar o Chaos And Creation In The Backyard (2005), onde toca todos os instrumentos na maioria das músicas ou o Eletric Arguments (2008), projeto de música experimental em parceria com o produtor Youth.
Quando a gente cresce, passa a acreditar cada vez mais no “I know, it’s only rock’n roll but I like it” dos Stones. Mas no caso de Sir Paul e dos Beatles, é impossível dizer que é “só” rock’n roll. Aquelas músicas provocam reações que vão muito além de um simples gostar: elas emocionam, instigam, comovem, alegram e entristecem também - principalmente quando pensamos que Paul McCartney, assim como John Lennon e George Harrison, não vai viver pra sempre.
Quem precisa de mais um DVD ao vivo de Paul McCartney? Talvez quem queira sentir emoções mais intensas que um simples “gostar”.



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre o CD

Muito já se falou sobre o futuro dos CDs. As quedas nas vendas fecharam até portas de mega-lojas da Virgin – um verdadeiro paraíso para os amantes dos compact discs.

Na tentativa de melhorar as vendas, algumas gravadoras e artistas estão “agregando valor” a seus produtos. Uma das versões do novo álbum do Pearl Jam, por exemplo, ao ser inserido no computador, disponibiliza dois shows inteiros da banda em MP3 para download. Já os Black Crowes (uma de minhas bandas favoritas), lançaram em setembro último um álbum duplo cujo “disco 2” é disponibilizado via internet para os que compraram o “disco 1”. Este, por sua vez, está no mercado nos formatos CD e Vinil. As versões remasterizadas dos álbuns dos Beatles são outro bom exemplo: com a exceção da coletânea Past Masters, todos vêm com um mini-documentário para ser visto no computador.

Os “bônus” não deixam de ser uma recompensa pra quem ainda gasta algum dinheiro comprando CDs. Mais ainda para os cada vez mais raros amantes dos álbuns, como eu, que vêem num determinado conjunto de músicas um reflexo da fase criativa do artista. Nesse caso, um livreto bem ilustrado com notas da gravação, fichas técnicas ou takes alternativos das músicas - qualquer material adicional que possa ilustrar ou enriquecer a experiência auditiva – serão sempre muito bem-vindos.

Em minha opinião, os CDs não vão desaparecer do mapa. A música, assim como qualquer outro produto de consumo, deve seguir uma tendência de segmentação para atender públicos com perfis diversos. A volta do vinil, ainda que a preços exorbitantes, é uma prova disso. No 30º aniversário do clássico Exodus, de Bob Marley & The Wailers, por exemplo, a gravadora Island relançou o álbum num drive USB. Moderno e na onda da digitalização, sem dúvida. Mas quando eu penso que um álbum que já teve o formato imponente do LP virou um pen drive, me causa uma certa estranheza...