quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

“Estou sempre dizendo 'prazer em conhecê-lo' para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer". Holden Caulfield

O primeiro contato que tive com O Apanhador no Campo de Centeio foi lendo algo relacionado a Mark Chapman, assassino de John Lennon. Chapman teria dito que a “explicação” para o seu ato pode ser encontrada nas páginas do livro. Eu tinha uns 15, 16 anos.
Na mesma época, li o livro e o que descobri não foram respostas para um ato de insanidade (até porque loucos não precisam de motivos para cometer loucuras), mas a história de um adolescente que sofre por ter uma sensibilidade extremante aguçada, num mundo cheio de cinismo e falso moralismo. As aventuras de Holden Caulfield, narrador e personagem central do livro, são acompanhadas de suas conclusões pessimistas e cheias de humor negro sobre tudo e todos os que o cercam, inclusive sobre si mesmo – sempre num tom coloquial, com frases que parecem sair da boca do protagonista direto para as páginas do livro.
The Catcher In The Rye (título original de O Apanhador…) foi lançado em 1951 e tornou-se imediatamente um best seller. Seu autor, J. D. Salinger, também ficou famoso por não querer ser famoso e viveu recluso por mais de 50 anos. Ele morreu hoje, aos 91 anos de idade em sua casa, na cidade de Cornish, N.H., Estados Unidos. Sua obra se resume a O Apanhador..., a coleção de contos Nove Estorias, além de duas compilações, cada uma com duas longas estórias.
Numa das passagens mais famosas de O Apanhador no Campo de Centeio (e uma de minhas preferidas), Holden Caulfield diz que livro bom é aquele que, quando a gente termina, tem vontade de ficar amigo do autor e ligar pra casa dele sempre que tiver vontade. Com sua opção pela reclusão, J.D. Salinger frustrou milhões de pessoas que um dia sonharam em trocar algumas palavras com o autor do seu livro preferido.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cavalheirismo.

(Pegando o embalo publicitário) - Não conhecia esse filme do Chivas. Ótimo texto, mensagem oportuna. Principalmente se avaliarmos que, há tempos, o sentido do termo "ser homem" é distorcido. Em relação ao desfile de terno no final, dêem um desconto. Afinal, é um filme do Chivas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Valor agregado.

Um tio meu (fã de Eric Clapton, vale dizer) admitiu que o aparelho é lindo, mas desaconselhou. A justificativa foi a de que já teve um celular dessa marca e o danado só durou dois meses. “R$ 800,00 jogados no lixo”, disse ele. “E daí? Eu não iria usar como celular mesmo”, respondo eu.




segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mais uma faceta de Eric Clapton

Apesar de ser, na essência, um músico de blues, Eric Clapton é um artista de discografia eclética. Já gravou pop, funk, soul, raggae, música eletrônica, psicodélica, gospel, country, jazz e, é claro, rock’n’roll. No final da década de 60, no entanto, ele estava numa encruzilhada musical. Depois do imenso sucesso com os Yardbyrds, John Mayall’s Bluesbreakers e Cream - com direito a ter seu nome pichado nas ruas de Londres com os dizeres “Clapton is God” -, o guitarrista estava insatisfeito com o direcionamento de sua carreira e cansado da imagem de virtuose das seis cordas. Em sua autobiografia, ele conta que os shows do Cream haviam se tornado um veículo para o exibicionismo dos seus integrantes, com os três músicos solando ao mesmo tempo, voando alto em seus egos. Na mesma época, ele escutou o álbum de estréia da The Band, Music From Big Pink, e foi arrebatado pela simplicidade e lirismo do disco. A vontade de produzir um som mais voltado para a “música” do que para o virtuosismo culminou no surgimento do Blind Faith, que contava com os amigos Steve Winwood (Traffic) e Ginger Backer (também do Cream). A proposta inicial de criar uma música mais “rica na simplicidade”, no entanto, ficou para trás quando o Blind Faith se viu numa turnê megalomaníaca pelos EUA, com um Clapton acuado no papel de coadjuvante. Somou-se a essa frustração o fato de o guitarrista estar cada vez mais envolvido pelo som produzido pela trupe de Delaney and Bonnie, banda de abertura do Blind Faith.

Delaney e Bonnie Bramlett eram casados, sendo os primeiros artistas brancos a assinar com Stax, famosa gravadora do sul dos EUA, voltada para o soul. A banda de apoio dos Blamletts era formada pela cantora Rita Coolidge, por Jim Price e Bobby Keys nos metais, pelo tecladista Bobby Whitlock, pelo baixista Carl Radle e pelo baterista Jim Gordom. Com o tempo, todos eles se tornariam músicos conhecidos e tarimbados, sendo que os três últimos ainda acompanhariam Clapton no Derek and the Dominos. Em sua biografia, Eric Claton conta que o relacionamento desses sulistas americanos com a música era contagiante. Sua rotina era subir no ônibus com os instrumentos e tocar o dia inteiro. Logo Clapton se viu viajando e andando com eles, deixando de lado a sua banda.
Depois de sua primeira e única turnê, o Blind Faith se desfez e Clapton logo passou a excursionar com os Bramletts, experiência que culminou no disco Delaney e Bonnie and Friends – On Tour With Eric Clapton. Na época, Dalaney começou a convencer Clapton a gravar seu próprio disco e se desenvolver como front man. Meses depois, Eric Clapton estava gravando seu primeiro álbum solo tendo a trupe de Delaney e Bonnie como banda de apoio, além do grande Leon Russel no piano. O disco foi batizado simplesmente de Eric Clapton e o resultado, não por acaso, é uma poderosa mistura de blues-r&b-contry-soul, com o guitarrista caprichando no vocal, nitidamente influenciado pelo estilo gospel de Delaney. No lugar dos longos e furiosos solos dos tempos de Cream, a guitarra de Clapton aqui é econômica e levemente calcada no funk. O disco, coeso e divertido, é realmente uma pérola da música pop e uma prévia do que viria pela frente: o clássico Layla and Other Assorted Love Songs, em minha opinião, um dos melhores álbuns de todos os tempos.
A boa notícia para os fãs brasileiros é que a edição “deluxe” de Eric Clapton ganhou uma versão nacional, um álbum duplo que apresenta em seu disco 1 a versão já conhecida remasterizada e mais alguns extras. A surpresa fica pelo disco dois, que contem o álbum mixado pelo próprio Delaney Bramlett. A diferença é a presença mais constante dos metais no segundo disco, além de alguns cortes e vocais de apoio diferentes. A caixinha, caprichada em fotos e textos, é um verdadeiro presente para quem gosta de música.