sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A F1 é dos baixinhos.


No último dia 23, Jean Todt, ex-chefe da Ferrari, que junto com Michael Schumacher e Ross Brawn formou o time dos sonhos que ganhou 13 títulos mundiais (entre pilotos e construtores) de F1, foi eleito presidente da FIA. Ele também foi o responsável pela polêmica ordem de equipe que culminou no célebre “Hoje não! Hoje não!” narrado por Cléber Machado durante a transmissão do Grande Prêmio da Áustria 2002, quando Rubens Barrichello freou para Schumacher passar na última curva. JT, que sempre teve sua carreira ligada aos esportes a motor, tem dois enormes desafios: o primeiro tem a cara do século XXI, que é o desenvolvimento sustentável, já que a F1 desempenha um papel importante no mercado automobilístico por estar na vanguarda tecnológica do setor. Apesar disso, nunca lemos ou escutamos nada relacionando a categoria a alternativas “verdes” de consumo de combustível ou armazenamento de energia.
O segundo desafio de JT é melhorar o nível das corridas, o que envolve soluções tecnológicas, mas também a escolha dos circuitos. Há tempos que a Formula 1 gira em torno de dinheiro. Bernie Ecclestone, o manda-chuva da FOM (empresa que dirige os direitos comerciais da categoria), transformou a F1 – originalmente uma competição de garagistas - num circo multi-milionário e espetaculoso. Uma prova disso é a corrida a ser realizada nesse fim de semana, em Abu Dhabi, Emirados Árabes, além das já realizadas no Bahrein e nos chamados Tigres Asiáticos – um festival de cenários espetaculares, ostentação de riqueza, alguma cafonisse e arquibancadas vazias. Mas como o que rende dinheiro são os patrocínios e os direitos de transmissão, para a FOM está tudo certo.
Ambos os desafios de Jean Todt esbarram na busca ilimitada por lucro e receita. Superar estes obstáculos representaria a maior vitória deste francês baixinho colecionador de títulos. Mas isso só pode acontecer com o consentimento de Bernie, outro baixinho, só que bem mais casca grossa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre o CD

Muito já se falou sobre o futuro dos CDs. As quedas nas vendas fecharam até portas de mega-lojas da Virgin – um verdadeiro paraíso para os amantes dos compact discs.

Na tentativa de melhorar as vendas, algumas gravadoras e artistas estão “agregando valor” a seus produtos. Uma das versões do novo álbum do Pearl Jam, por exemplo, ao ser inserido no computador, disponibiliza dois shows inteiros da banda em MP3 para download. Já os Black Crowes (uma de minhas bandas favoritas), lançaram em setembro último um álbum duplo cujo “disco 2” é disponibilizado via internet para os que compraram o “disco 1”. Este, por sua vez, está no mercado nos formatos CD e Vinil. As versões remasterizadas dos álbuns dos Beatles são outro bom exemplo: com a exceção da coletânea Past Masters, todos vêm com um mini-documentário para ser visto no computador.

Os “bônus” não deixam de ser uma recompensa pra quem ainda gasta algum dinheiro comprando CDs. Mais ainda para os cada vez mais raros amantes dos álbuns, como eu, que vêem num determinado conjunto de músicas um reflexo da fase criativa do artista. Nesse caso, um livreto bem ilustrado com notas da gravação, fichas técnicas ou takes alternativos das músicas - qualquer material adicional que possa ilustrar ou enriquecer a experiência auditiva – serão sempre muito bem-vindos.

Em minha opinião, os CDs não vão desaparecer do mapa. A música, assim como qualquer outro produto de consumo, deve seguir uma tendência de segmentação para atender públicos com perfis diversos. A volta do vinil, ainda que a preços exorbitantes, é uma prova disso. No 30º aniversário do clássico Exodus, de Bob Marley & The Wailers, por exemplo, a gravadora Island relançou o álbum num drive USB. Moderno e na onda da digitalização, sem dúvida. Mas quando eu penso que um álbum que já teve o formato imponente do LP virou um pen drive, me causa uma certa estranheza...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Conhecimento sem Fronteiras

Em novembro de 2008 passei 30 dias em Nova York observando e analisando as tendências da comunicação. A viagem fez parte do projeto Conhecimento sem Fronteiras da Morya, onde todos os funcionários da agência são encorajados a planejar uma pesquisa envolvendo qualquer lugar do mundo. O melhor projeto tem sua realização financiada. O resultado desta fantástica experiência pode ser conferido nesta revista. É só clicar nela e boa viagem.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sobre o blog.

Em sua aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária no Colégio de França, o acadêmico e escritor Roland Barthes decretou que a língua (ou linguagem), sempre que proferida, “mesmo que na intimidade mais profunda do sujeito”, está a serviço do poder. E que a única forma de “ouvir” a língua fora de um contexto autoritário seria através da escrita.
O propósito deste blog é justamente esse: escrever. E não apenas sobre comunicação e marketing (meu ofício do dia-a-dia), mas sobre tudo o que me interessa. Portanto, este espaço vai abrigar impressões sobre música, cinema, literatura, política, Formula 1, futebol e até gastronomia, além de alguns trabalhos desenvolvidos por mim na Morya Comunicação, agência para a qual trabalho. A idéia é mesmo usar a escrita como instrumento de liberdade, sem verdades absolutas, no melhor espírito Roland Barthes. Até porque a vida vai muito além das quatro paredes de uma agência de publicidade.