No último dia 23, Jean Todt, ex-chefe da Ferrari, que junto com Michael Schumacher e Ross Brawn formou o time dos sonhos que ganhou 13 títulos mundiais (entre pilotos e construtores) de F1, foi eleito presidente da FIA. Ele também foi o responsável pela polêmica ordem de equipe que culminou no célebre “Hoje não! Hoje não!” narrado por Cléber Machado durante a transmissão do Grande Prêmio da Áustria 2002, quando Rubens Barrichello freou para Schumacher passar na última curva. JT, que sempre teve sua carreira ligada aos esportes a motor, tem dois enormes desafios: o primeiro tem a cara do século XXI, que é o desenvolvimento sustentável, já que a F1 desempenha um papel importante no mercado automobilístico por estar na vanguarda tecnológica do setor. Apesar disso, nunca lemos ou escutamos nada relacionando a categoria a alternativas “verdes” de consumo de combustível ou armazenamento de energia.
O segundo desafio de JT é melhorar o nível das corridas, o que envolve soluções tecnológicas, mas também a escolha dos circuitos. Há tempos que a Formula 1 gira em torno de dinheiro. Bernie Ecclestone, o manda-chuva da FOM (empresa que dirige os direitos comerciais da categoria), transformou a F1 – originalmente uma competição de garagistas - num circo multi-milionário e espetaculoso. Uma prova disso é a corrida a ser realizada nesse fim de semana, em Abu Dhabi, Emirados Árabes, além das já realizadas no Bahrein e nos chamados Tigres Asiáticos – um festival de cenários espetaculares, ostentação de riqueza, alguma cafonisse e arquibancadas vazias. Mas como o que rende dinheiro são os patrocínios e os direitos de transmissão, para a FOM está tudo certo.Ambos os desafios de Jean Todt esbarram na busca ilimitada por lucro e receita. Superar estes obstáculos representaria a maior vitória deste francês baixinho colecionador de títulos. Mas isso só pode acontecer com o consentimento de Bernie, outro baixinho, só que bem mais casca grossa.
