Abaixo, reproduzo artigo meu postado sexta-feira passada no blog da Morya Comunicação sobre o papel das redes sociais nas eleições americanas de 2008 e o que pode ser feito de parecido no Brasil. Para acessar o blog, é só acessar o http://www.moryando.com.br/. Recomendo.
Eleições 2010. A busca pelo sucesso de Obama na internet.
Mais de um ano depois da vitória de Barack Obama nas eleições estadunidenses de 2008, muito ainda se fala sobre a atuação de sua campanha na internet, mais especificamente nas redes sociais. No Brasil, o interesse pelo assunto se deve principalmente ao fato de estarmos em ano eleitoral e, com o sucesso da campanha online de Obama, é natural que os políticos “tupiniquins” e suas equipes estejam em polvorosa com as possibilidades oferecidas pela internet.
O case da campanha de Obama é mesmo fantástico – um jovem advogado negro, formado em Harvard, filho de muçulmanos, nascido e criado no Havaí, e que chegou à presidência do país mais influente do mundo. Sua campanha contou com uma adesão popular nunca vista numa eleição daquele país. O fato é que, em 2007, no início da corrida eleitoral, o então senador do estado de Illinois era conhecido apenas como um jovem democrata negro e idealista, e sua popularidade só começou a crescer quando a campanha ganhou a internet. Como outros conjuntos de ações digitais de sucesso, o grande mérito da campanha de Obama na rede foi por atuar onde os eleitores estavam, e não onde sua equipe gostaria que eles estivessem. Isso significou estar presente nas mais diversas redes sociais – desde as mais tradicionais, como o Facebook, o Youtube ou o Flickr a outras mais segmentadas para públicos específicos, como a Migente.com (destinada a emigrantes e descendentes de latinos) ou o Asianave (destinada aos asiáticos). Em todas elas, Obama possuía widgets – pequenas janelas com links para suas páginas de doação – possibilitando aos internautas fazerem suas contribuições financeiras dali mesmo. Apesar de toda essa disseminação, a campanha na internet girava em torno de uma rede própria, a Mybarackobama.com, onde os usuários criavam seus grupos de discussão e páginas próprias para arrecadar doações, podendo participar ativamente da campanha com sugestões de pauta. Como resultado, o candidato democrata passou a contar com uma infinidade de conteúdos gerados por usuários: mais de 500 grupos do Facebook; fotos no Flickr oficial da campanha, em sua maioria, feitas por fotógrafos amadores; mais de 500.000 resultados gerados na busca pelo nome “Obama” no Youtube; criação do Youbama, site amador com as mesmas ferramentas do Youtube, mas com o objetivo de promover a campanha democrata.
De todas as redes sociais onde Obama atuou, a que mais chamou a atenção foi o Twitter, pois com mais de 1 milhão de seguidores, a campanha dele ajudou a popularizar a rede/ferramenta. O interessante é que, pessoalmente, o candidato Obama nunca escreveu sequer uma linha no Twitter, conforme já declarou em algumas entrevistas. As atualizações ficam por cargo de uma equipe de assessores, que mantêm o perfil ativo até hoje. Isso pode parecer impessoal ou até frio, mas evita que o candidato cometa qualquer tipo de gafe, como tem acontecido com alguns políticos brasileiros.
Outra “sacada” da campanha de Obama foi lançar um aplicativo para Iphone que ajudava os usuários do telefone a organizar suas listas de contato, de acordo com quem eles já convenceram a votar no candidato democrata e os que ainda faltavam ser convencidos. O aplicativo também listava notícias e eventos da campanha de Obama.
Os famosos virais também ganharam grande destaque. Vídeos no Youtube foram vistos por milhões de pessoas. Muitos vídeos eram oficiais, produzidos pela equipe de Obama. Outros, feitos pelos próprios eleitores. Alguns virais contaram com forte adesão de artistas, que agregaram suas imagens à campanha. Abaixo, segue um belo exemplo:
Outro viral que fez muito sucesso foi o criado em cima do famoso filme “Wassup”, criado para a cerveja Budwiser em 2000. Oito anos depois, os mesmos atores que atuaram no filme original gravaram uma sequência especialmente para a campanha de Obama. Abaixo, seguem os dois filmes:
Mesmo depois de eleito, a relação de Barack Obama com a internet continua estreita. Durante o período de transição, entre a eleição e a posse, foi criado o hotsite Change.gov, no qual os americanos postavam mensagens, sugestões e opiniões sobre temas relevantes ao país. Depois de sua posse, o site da Casa Branca foi totalmente reformulado e agora abriga um espaço nos moldes do Change.gov. O Twitter de Obama continua sendo atualizado e a Casa Branca também ganhou um perfil próprio. Já o canal da Casa Branca, no Youtube, passou a receber muito mais conteúdo e não apenas os discursos do presidente, como na era George W. Bush.
Mas, se é verdade que a revolução promovida pela rede mundial de computadores mudou para sempre o universo da comunicação e da informação, também é fato que eleições democráticas são um terreno irregular, onde particularidades geográficas e sociais fazem toda a diferença. Ou seja, o que vale para os Estados Unidos não pode ser dado como certo para o Brasil. Um grande trunfo da campanha de Obama foi, por exemplo, os altos valores de dinheiro arrecadados através da internet. No Brasil, é improvável que algo parecido aconteça, pois a intimidade dos brasileiros com transações financeiras online ainda está muito aquém da dos americanos. Ainda assim, a internet, que ficou de fora das últimas eleições brasileiras por questões judiciais, pode ter um papel fundamental nas de 2010, principalmente no que diz respeito à inclusão dos jovens no debate político. Nas casas de classe média ou nas lan houses da periferia, todos com idades entre 16 e 25 anos estão conectados a redes sociais, blogs e menssegers. Para os candidatos que irão concorrer nas eleições brasileiras de 2010, fazer-se presente nesses canais significa se comunicar com os jovens pelos meios que estes adotaram como seus. E mais importante: surge uma possibilidade real de incluir toda uma geração na discussão sobre o futuro do nosso país.