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quinta-feira, 31 de março de 2011

A hora do verde-amarelo

A recente polêmica causada pelas declarações patéticas do também patético deputado Bolsonaro me trouxe uma velha conclusão: nós, brasileiros, somos alienados e tolerantes demais. Por coincidência, eu estava bisbilhotando meus arquivos e me deparei com um artigo que escrevi para o Jornal do Commercio em 2006, logo após a eliminação da seleção brasileira na copa. O texto é sobre o patriotismo relâmpago em épocas de copa e o estado de letargia citado acima. Acho que vale a leitura.


A hora do verde-amarelo

Publicado em 25.07.2006

CARLOS EDUARDO DE

QUEIROZ LIMA FILHO

A falta de mobilização dos brasileiros diante da indiscutível grave situação social do País está cada vez mais contagiante, como uma doença que se alastra e causa moleza e desinteresse. Diariamente chegam ao nosso conhecimento ações de crime organizado, paralisações nas máquinas públicas, casos de exploração infantil, assassinatos em sinais de trânsito, desvios de verba no governo, mortes por deslizamento de terra e outros inúmeros acontecimentos que escancaram a imensa fragilidade da sociedade em que vivemos. No entanto, ninguém fala nada, ninguém levanta a voz. No Brasil, pessoas que deveriam estar isoladas em presídios, pagando por crimes contra a sociedade, têm o poder de parar a maior metrópole da América Latina, uma cidade conhecida por não parar. Em qualquer país onde a população tenha senso de responsabilidade sob o que acontece dentro de suas fronteiras, a resposta viria em forma de revolta generalizada. No entanto, a única coisa capaz de nos fazer ir às ruas, de despertar nossas emoções e mexer com o orgulho de ser brasileiro é o futebol. É preciso que haja uma Copa do Mundo para o País vestir suas cores.

Há tempos nenhum ladrão (seja lá de que nível da pirâmide hierárquica dos ladrões brasileiros) causava tanta indignação quanto causou o técnico Carlos Alberto Parreira por não escalar o time “ideal” durante a Copa. Roberto Carlos então, não houve mensalão que manchasse mais o orgulho nacional quanto o erro de marcação do camisa 6 da seleção no gol que deu a vitória a França. Durante todo o mês de junho e começo de julho, os jogadores brasileiros foram o assunto central do nosso dia-a-dia. Os quilos a mais de Ronaldo foi tema de debates fervorosos com direito a comentaristas ilustres e, por fim, fomos telespectadores de um verdadeiro Big Brother, com direito a noitadas, bolhas, namoradas, familiares dos participantes e até Pedro Bial.

Diante desse quadro, me pergunto: como seria se a imprensa, a publicidade e, principalmente, a população, concentrasse tanta paixão e interesse na situação social do País, quanto concentra na Seleção Brasileira? Será que nos tornaríamos todos especialistas em cidadania? Será que teríamos opiniões convictas de como vencer nossos maiores adversários, como a precariedade do ensino primário e médio? Teríamos táticas ofensivas para bater a fome e o desemprego? Estratégia segura para nos defender de ataques criminosos? Quem seriam nossos heróis? Será que, diante desse despertar de consciência, passaríamos a ter outra identidade, que não a do país do samba e do futebol?

O fato é que, com nossa derrota na Copa do Mundo, as bandeiras estão sendo recolhidas e o verde-amarelo dos muros e ruas está novamente dando lugar à paisagem comum. Os rostos pintados estão sendo substituídos por fisionomias pálidas. O estado de anestesia em que vivemos não nos permite sentir que, justamente a partir de agora, precisamos nos mobilizar para um outro evento, que também acontece de quatro em quatro anos. Diferentemente da seleção brasileira, em outubro, teremos a oportunidade de escolher, nós mesmos, os representantes do nosso País. São dessas pessoas que devemos cobrar empenho, garra e determinação. São eles que devem honrar nossa camisa e dar o sangue por ela. Eles, sim, têm a obrigação de levar o Brasil à superação e trabalhar visando o sucesso coletivo. Mas para isso acontecer, não basta ficar na torcida. Precisamos nos levantar e agir.

Carlos Eduardo de Queiroz Lima Filho é publicitário. E-mail: ce_queiroz@yahoo.com.br

domingo, 21 de março de 2010

De olho na propaganda e no marketing eleitoral.

Em 2008, escrevi um artigo para o Jornal do Commercio, no qual fiz um balanço da propaganda eleitoral praticada para as eleições municipais daquele ano. O tema sempre me interessou. Na graduação, fiz um extenso trabalho sobre o marketing político de Fernando Collor em 1989 e, mais recentemente, desenvolvi minha monografia para o curso de MBA em Marketing abordando o papel das novas mídias na campanha de Barack Obama.
Mas voltando ao texto, ele é mais uma reflexão sobre o dia a dia de um eleitor comum cercado pelas campanhas eleitorais do que uma análise técnica sobre publicidade ou marketing. Com uma nova eleição prestes a ganhar as ruas (e também a internet, finalmente), acho que vale a pena voltar ao tema. Segue baixo o artigo.

Photoshop, photoshop meu...
Um olhar geral pela atual propaganda eleitoral praticada pelos candidatos e partidos desperta algumas observações. Em relação ao horário político gratuito no rádio e na televisão, analisando superficialmente, pouca coisa mudou. Os que têm mais recursos e tempo apresentam uma produção mais caprichada, com edições, jingles e slogans mais elaborados e atraentes. Os que não têm, tentam se fazer escutar quase à tapa naquele curtíssimo espaço de tempo.
Não é a toa que muitos consideram esta a parte mais interessante do guia. É aqui que vemos as pessoas “reais”, com suas expressões, olhares, vozes, coragem (às vezes cara-de-pau, mesmo), origens e, de vez em quando, até idéias.
Em outra frente de batalha, vem a propaganda nas ruas. Ao andar pelo Recife nestes tempos eleitoreiros, duas coisas chamam a atenção. A primeira foi a diminuição do número de entregadores de material publicitário dos candidatos nos sinais, os famosos panfletos, flyers, santinhos, calendários, etc.
Além de nós, cidadãos, que todos os dias éramos obrigados a juntar uma quantidade absurda de papel, a cidade e o meio-ambiente também agradecem essa redução, já que os impressos representavam um problemão para a nossa precária infra-estrutura. Apesar disso, não estamos livres de um outro tipo poluição: a visual. O responsável por esta, são os chamados prismas, aquelas peças com a foto do candidato que disputam espaço com os pedestres nas calçadas da cidade.
Se acreditarmos nos discursos dos candidatos, que se dizem tão afinados com práticas sustentáveis, a preocupação com possíveis danos ao meio-ambiente este ano será menor. Sendo assim, o que incomoda tanto em relação aos prismas? Seria o bizarro colorido que o conjunto total representa? Ou os tijolos deixados nas calçadas após serem usados para sustentar as peças diante da ventania (uma pena, pois seria divertidíssimo ver enormes rostos sorridentes voando pelas ruas, carregados pelos fortes ventos da primavera)! Estou falando do uso exagerado de programas de manipulação de imagem usados para dar um trato, digamos assim, nas fotos de alguns candidatos.
É certo que são ferramentas fantásticas e representam um enorme avanço na criação e produção da comunicação visual. Mas como tudo o que é bom, deve-se saber a medida de usá-lo. Reparem no desfile gratuito de dentes branquinhos, peles de nenê e cabeleiras fartas e brilhosas. Ou como aquele candidato ou candidata que, na TV, fala do alto da experiência que só a idade lhe proporciona, na foto da esquina está, digamos... Diferente.
Esta, no entanto, não é uma questão que diz respeito somente à publicidade e à propaganda. O uso da tecnologia digital no jornalismo de imagem também tem despertado polêmica. Um caso recente foi o suposto acréscimo de fogos de artifício à transmissão da abertura dos jogos olímpicos de Pequim. Para o fotojornalismo, por exemplo, o tema parece ser bastante delicado. Afinal, quem nunca viu uma imagem ou fotografia na internet e se perguntou se aquilo era verdade ou montagem?
Obviamente a imagem é parte fundamental da comunicação. E na propaganda política, especificamente, se trata de uma poderosa arma eleitoreira. No entanto, diante do alto sentimento de desconfiança dos brasileiros em relação à classe política nativa, me parece que o desejo coletivo é de ver candidatos mais “reais”, que não tem medo se expor suas imperfeições físicas nem humanas - candidatos mais parecidos com aqueles citados no início deste texto, e não bonecos e bonecas de porcelana.
O fato é que, os que entram para a política já deviam saber que, na vida, ainda mais se tratando de trajetórias públicas, a maneira mais eficiente e honesta de se construir uma imagem não é com photoshop. Mas com atitudes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Conhecimento sem Fronteiras

Em novembro de 2008 passei 30 dias em Nova York observando e analisando as tendências da comunicação. A viagem fez parte do projeto Conhecimento sem Fronteiras da Morya, onde todos os funcionários da agência são encorajados a planejar uma pesquisa envolvendo qualquer lugar do mundo. O melhor projeto tem sua realização financiada. O resultado desta fantástica experiência pode ser conferido nesta revista. É só clicar nela e boa viagem.