“A pessoa mais famosa de Nova York que ninguém conhece”. Apesar de adorar o texto do cartaz, não demos muita bola para o pequeno show que o International Hostel de Nova York estava oferecendo para seus hóspedes. Isso, até o dia em que, chegando ao albergue depois de mais um dia de longas caminhadas, escutamos um som vindo de uma das salas do prédio situado na Amsterdan Avenue, 103. Era “No Reply” dos Beatles – o convite que precisávamos. A partir daí, tivemos um dos momentos mais divertidos (e inusitados) da viagem.O “Guitar Man from Central Park” é uma figuraça. Tocando para uma platéia de 30 a 40 pessoas vindas dos mais diferentes lugares do mundo, ele conversava com todos, tentava decorar o nome a nacionalidade de cada um, contava histórias de sua vida e, entre músicas pedidas pelo animado público, apresentava suas próprias composições. David Ippolito é o nome do cara. E ele se garante: toca e canta muito bem, como pudemos conferir em Beware of Darkness de George Harrison ou Like a Rolling Stone de Dylan. Momentos antes dessa última, confessou que já morou nas ruas, foi viciado em drogas e, depois de se recuperar, acredita que entendeu o real significado da letra. Em seu site, ele diz que nessa época “se viu em lugares que hoje não gostaria de voltar”, que “não estava atuando, mas dizia ser ator e não estava compondo, mas dizia ser compositor” e completa assumindo que “tinha um louco desejo por fazer ambas as coisas, mas não tinha nada de importante pra dizer ao mundo”. Após anos vivendo de favor, David Ippolito parou de se drogar e gastou todo o seu dinheiro num pequeno amplificador, que levou para o Central Park. Neste dia, ele começou tocando para 3, 4 pessoas e, quando o sol estava se pondo, havia mais de 500 pessoas cantando com ele. Para sua surpresa, uma delas era Jack Rosenthal, editor sênior no New York Times que, no dia seguinte, publicou um artigo sobre o “concerto espontâneo no parque”. Depois disso, David Ippolito passou a se apresentar regularmente não só no Central Park, mas também em várias casas de show de Nova York, além de ter lançado 5 discos, sempre com direito a coberturas nos jornais, revistas e até programas de TV da cidade. As pessoas podem até dizer que essa é uma estória batida: vício, fundo do poço e, depois, recuperação. De fato, muita gente já viu esse filme. Mas assistir um trechinho ao vivo e a cores é bem mais emocionante.
Daquela noite fria de 20 de novembro de 2008 ficou uma lição de vida e também uma música chamada “Crazy on The Same Day”, original de David Ippolito, que trouxemos no CD de mesmo nome e que se tornou a trilha sonora da viagem.
Um comentário:
um pouco de "City Song"
'Cause I hear the love song you're singing in New York City
It's a symphony that sounds like rock 'n roll.
And in the subways and the streets
There's a rhythm that beats
Until it heats up every heart and every soul.
Postar um comentário